quarta-feira, 1 de abril de 2009
O dia antes do segredo.
A blusa do trabalho: usei amassada.
Não perdi a parada de descer.
O vôo atrasou.
David morreu ontem.
Recarreguei o VR.
O Iron Maiden foi embora hoje.
Vendi o VR.
Aprendi a passar fitinha de prender.
Não choveu.
07 08 21 23 31 51
Tomei vinho com suco de uva.
Encontrei Andreza no ônibus.
Fiz prova de Administração de Materiais.
Jantei coxinha com H2OH!
Reh passou o dia triste.
Olhei pro relógio: passava das oito da noite.
Eu pus um recado em formato de presente preso com ímã na porta da geladeira.
Comi brigadeiro branco.
Ainda não dormi (são 22h43)
sábado, 14 de março de 2009
Dallas, TX 22 de Setembro de 2008.
(...)
Finalmente o curso começou pra valer. Até mudamos de crachás. Aposentamos os antigos e os novos exibem “ICSAC092208B” sem o “PreCourse”. Nossa professora se chama Nancy McCainn. É uma senhora super falante e muito confusa, mas aparenta ser bem alegre. Ela é descendente...não, não, ela é de fato japonesa. O andamento do curso é legal. A gente tem dois “breaks”: um antes do almoço e outro depois. Largamos às 16:30. Agora à noite rolou jogatina de baralho. Meio maçante... Ninguém sabe jogar jogos intrigantes e ninguém tem UNO. Um dos recepcionistas do hotel me alugou numa conversinha sobre diferenças de culturas no que tange a localidades regionais e tal. Ele (Jamison) me parece até ser gente fina e tem uns conceitos bem palpáveis. Mas, sei lá...se gabando por ter feito esse ou aquele curso de teatro ou interpretação não me rendeu muito interesse. Eu subi e a outra Juliana veio comigo assistir V de Vingança. Filme cabuloso, rapaz! Vale a pena. Já perto de anoitecer uma patotinha de Salvador e Recife foi lá no WalMart (de novo!) e eu no meio. Na saída, vimos lá um “self check-out” que é tipo um caixa automático, não tem atendente. Você mesmo passa o produto no laser e põe na sacola. Tem uma monitor “touch screen” onde o cliente encerra a compra ou cancela algum item e pode escolher o modo de pagamento que pode ser dinheiro, cartão ou cheque. Lógico que a gente se enrolou pra usar, mas uma hora tudo se resolveu.
É muito tarde e muito sono.
Stop this train
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Dallas, TX 21 de Setembro de 2008
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Dallas, TX 15 e 16 de Setembro de 2008.
Eu acordei sem a ajuda do despertador às 5:30, tendo ido dormir às 2:30. Minha mãe foi me levar no aeroporto e chegamos lá às 7:30: ainda havia uma infinidade de tempo. Esperamos sentadas próximo aos balcões de check-in da Gol e aos poucos vimos todos do grupo chegar. Minha mala despachada deu um total de 21Kg. Em viagens domésticas, o limite de peso para bagagens despachadas é de 23Kg. Viagens internacionais, 32Kg. Algumas pessoas do grupo excederam o limite de peso, mas conseguiram passar sem pagar pelo excesso. Já outros não tiveram tanta sorte: Tati excedeu quase 15Kg...teve de se despedir de algumas coisas pra poder embarcar. O vôo que estava previsto pra decolar às 10:00, saiu somente às 10:45. Falei com Bárbara minutos antes de embarcar. Ela foi a última pessoa fora do aeroporto com quem falei antes de entrar no avião. Tentei ligar pra Reh...não consegui. Ela se arriscou indo no aeroporto levar chocolate pra mim cedinho. Milhões de fotos pra somente duas ou três vingarem. Isso é a gente! Minha mãe...obviamente fez seu show à parte e se eu não estivesse indo viajar, certamente me teria posto na geladeira. O vôo pra São Paulo foi tranqüilo. Eu vim ao lado de um professor de estatísticas da USP: professor Marinho. Ele tava voltando pra casa depois de uns dias de folga em Recife. São Paulo tava frio: aproximadamente 15°C. Hélida, coitada, foi atacada por uma crise de renite que pegou ela desde o avião. Encontramos com Débora que logo depois subiu para sala da AA pra finalizar uns papéis dos nossos cursos. Literalmente “morfamos” até quase 19:00 esperando pra nos encontrarmos com Débora uma última vez antes de irmos para Miami. Tentei comprar um chip Claro com meu Visa: recusado! Tentei comprar um lanche na McDonald’s: recusado! A solução foi pedir dinheiro emprestado pra Camila Sóter. AH! Tentei ligar pra Yasmine a cobrar de um telefone público, mas infelizmente ela não retornou a ligação (pobre de mim). Talvez ela não tenha sacado que era eu ou simplesmente não tenha podido ligar de volta, vai saber... Indo pra Miami, voamos pela AA. O vôo saiu na hora, ( graças!!) mas foi péssimo! Oito horas sentadas numa poltrona que não era corredor nem janela, um frio do cacete e muita, muita turbulência. O lado positivo (abrilhantado por ter sido uma novidade para mim) foi a telinha de 10’’ localizada na parte de trás da poltrona a minha frente onde você escolhe vários estilos de músicas, diferentes estilos de filmes e séries de TV (tudo na íntegra e assim beeeeeeeeem antigo), jogos e informações completas sobre o vôo (rota, clima, velocidade, temperatura, altitude, entre outras informações). A tela é do tipo “touch screen”, mas no braço da poltrona o passageiro encontra um controle remoto que aciona quaisquer funções, tanto na tela, como aquela no teto do aeronave, logo acima da sua cabeça (luz, volume do som, ventilação, solicitar comissário de bordo). Nós lanchamos, jantamos e tomamos desjejum no avião. Às 05:45 no horário de Miami o avião pousou. Fomos direto fazer os procedimentos de imigração. Demorou uma vida. Vimos um turista ser duramente repreendido por um policial por estar fotografando a área onde estávamos, a área de imigração. Já tendo pego as bagagens e passando pela polícia e alfândega, entregamos as malas ao pessoal de conexão de vôos da AA e fomos direto pro portão. Ou eu estava muito cansada, ou realmente o aeroporto é enorme, pois eu sentia meus pés pesando uma tonelada a cada passada que dava. O vôo pra Dallas saiu às 7:45. Antes, na sala de embarque, deu pra cochilar um pouco. De todos esses vôos, incluindo os do Rio de Janeiro, o de Miami pra Dallas foi o mais curto de todos (ou ao menos foi o que pareceu). Três horas muito bem dormidas deitada ao longo das três poltronas da fileira na qual era meu assento. Dessa forma, três horas se passaram em três minutos. Quinze minutos antes do pouso, fui acordada pela comissária de bordo. Já em Miami eu havia sentido meus lábios ardendo sem saber o porquê. Passou a arder mais, mais, mais. Só agora há pouco uma das meninas me explicou: o clima é muito seco e os lábios ressecam e ferem-se facilmente. O aeroporto de Ft. Worth é lindo e também imenso: o maior complexo aeroportuário do mundo. Um sistema moderníssimo de telefones públicos permite aos passageiros entrarem em contato com serviços de transporte, acomodações, saúde, mapas (localidades) e entretenimento gratuitamente. Ligamos pro Learning Center da AA e em vinte minutos vieram nos buscar. Fomos levados para lá, recebemos nossos cartões individuais de refeições e nossos schedules. Decidimos primeiro almoçar pra depois seguirmos para o hotel de vez. Na verdade verdadeira, não ficamos instalados em Dallas, mas numa cidade vizinha chamada Bedford. O hotel é da rede Comfort Inn e é super aconchegante. Simples, mas muito fofo! Como nosso grupo é ímpar, eu dei a sorte de pegar um quarto só pra mim. No banheiro, um espelho majestoso e banheira. Na TV, cem canais e ainda duas “king size” incríveis. Há uma poltrona no canto próximo a luminárias erguidas do chão e uma mesinha no outro canto bem século passado pra usar notebook (Wi Fi até na privada) ou escrever, como eu. No meio disso, na parede de fundo, uma janela que dá pra rua onde fica a entrada do hotel. O meu andar é o terceiro, o meu quarto, o 325. Tomei um banho de duquesa e quando desci pro lobby encontrei Demitryus e Abner. Fomos pra rua na missão de encontrar o Wal Mart e conseguimos. Meu deus! O que mais me impressionou não foi o fato de ser gigantesco (nossos Hiper Bompreço, Carrefour e Extra não ficam atrás), mas sim os preços que são absurdamente menores. Eu poderia dar mil exemplos, mas basta eu dizer que mesmo convertendo pra real, ainda assim os produtos são incrivelmente baratos. Comprei uma caixa com doze latas de Fanta por US$3,27. Também comprei outras coisas nessas proporções inimagináveis de preços. Voltamos para o hotel de carona. Uma senhora que aparentada ter uns 50 anos nos ofereceu carona até a porta do hotel. O jantar, que deveria ter sido às 19:00 no Learning não rolou porque a van simplesmente esqueceu da gente. Eu e umas meninas atravessamos a highway e fomos jantar no McDonald’s. Eu pedi um double cheeseburger, batas, sandae e refrigerante e sabe quanto paguei: US$4,35. É o que eles chamam de cardápio “One Dollar”. Os US$0,35 foram cobrados de imposto que, à propósito, só é cobrado quando o cliente compra um tal produto ou serviço. Só para imposto se comprar. Não, eu não estou mais no Brasil mesmo. A diferença de horário são três horas. Aqui são 21:45 e ai 23:45 e eu preciso dormir. Amanhã acordo às 6:00.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Help
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
O homem do violino
Hoje choveu demais. Ainda é escuro às cinco horas, então espero embaixo do meu prédio até que a chuva dê trégua pra que eu possa sair. Praguejei o sistema falho de serviço de transporte coletivo da minha cidade na ida e na volta para o trabalho. Em dias assim, realmente nada funciona bem. Há meses que não uso mais guarda-chuva porque há meses perdi um numa praça de alimentação lotada de um shopping no centro. Os guardas de segurança não ajudaram muito e no “Perdidos e Achados”, me convenci que havia perdido meu guarda-chuva que foi achado por algum espertinho indigno (era um lindo guarda-chuva!). Sendo assim, o que me resta é fazer do blazer de tecido oxford do meu uniforme um quebra-galho. Andei fantasiada com o blazer apertado na cabeça por onde quer que eu estivesse exposta aos pingos de chuva. Eu parecia não somente atrair mais chuva, como olhares curiosos e questionadores de “Pra quê tanto?”. No ônibus indo pra casa já segura da umidade, subi e passei pela catraca sacudindo meu blazer e respingando ingenuamente (ingenuamente?) gotejos de água ao meu redor. O restante dos passageiros se mostrou apaticamente alheio. Todos menos um. Um rapaz negro sentado ao lado da janela sozinho olhou pra mim e me encarou fixamente. O olhar dele era como se ele esperasse alguma coisa, ou quisesse pedir alguma coisa, ou como se ele simplesmente me conhecesse. Nem aí! Por alguns segundos estudei bem todos os assentos do ônibus e finalmente me joguei numa cadeira próxima à porta traseira. Eu me encontrava três cadeiras atrás daquele rapaz e notei que, depois de eu haver passado por ele, sua cabeça voltou a repousar no seu antebraço que estava apoiado no encosto do assento da frente. Seus olhos permaneceram no chão. Ou assim eu imaginei. Nada demais pra se observar no trajeto que percorro todo santo dia, então deixei minha mente vagar e se perder uns instantes num ponto fixo qualquer. Estava indo muito bem até meus sentidos serem desviados para onde uma atração forte os sugava. Na verdade, era um rosto negro, jovem, que usava óculos, barba propositalmente mal feita e uma tatuagem enorme no braço esquerdo. Me fitou por vários segundos seguidos e depois me deixou espalhada por todo ônibus ao desviar seu olhar do meu enquanto puxava para si a bolsa em forma de instrumento. E de lá saiu o que eu não imaginava: um violino. Ali sentado, sem se anunciar ou pedir licença, ele começou a tocar algo que eu não conhecia. O som era alto e eu não sei se eram meus ouvidos que não eram apurados ou acostumados à sonoridade do instrumento ou se era o ambiente que era impróprio, mas eu ainda não reconhecia o violino. De costas para mim, ele se movimentava quase que de acordo com o balanço do ônibus, desviando de passageiros que passavam pelo corredor. Seus músculos se contraíam e relaxavam como parte integrante e essencial na desenvoltura daquela atividade. Eu me perguntei se ele estava de olhos fechados ou abertos. Me perguntei se quando o vi de cabeça baixa o que estaria fazendo: orando? Indaguei o que significava para ele cada nota, cada quilômetro rodado, cada olhar retorcido dentro daquele ônibus e o que passava dentro de sua cabeça agora. Se ele reclamava calado sobre o dia chuvoso ou se somente concentrava-se nas notas repetindo para si mesmo “Apenas continue tocando”. Eu pude ver que lá fora as coisas pareciam ter entrado em slow motion e a música deixara todos intocáveis, sedados e segurando o ar que haviam inspirado pela última vez desde o início daquele encantamento. Eu lembrei do passado montado num mosaico de imagens, vislumbrei o futuro e o tanto quanto falta até que o mundo acabe e caí de volta no presente cheia de coisas no colo pra levar. De repente, o ônibus parou, seus motores perderam força até parar e o mesmo aconteceu com o violino. Argumentando o incômodo barulho do instrumento, o motorista falou ao homem do violino pelo retrovisor interno explicando-lhe que não o tiraria do coletivo porque o músico havia pago passagem, mas convidou-os a prosseguirem no trajeto calados: o homem e o seu violino. Derrotado, o homem do violino ainda sentado começou a apresentar-se e ao levantar-se e caminhar até a catraca, confessou ser estudante universitário de música clássica e desempregado. Pediu desculpa a todos os incomodados (tenho certeza que internamente ele excluiu o motorista) e fez apelo por qualquer auxílio financeiro que lhe pudessem oferecer. Eu permaneci inerte e só assisti a tudo movimentando os olhos, a boca semi aberta. Antes de descer o homem do violino foi até o início do corredor do ônibus mais uma vez e se inclinou sobre a catraca o mais próximo que pôde do motorista: “Eu vou continuar.” Pediu parada e desceu. Nada demais pra se observar no trajeto que percorro todo santo dia, então conectei os fones de ouvido do celular sintonizado em qualquer estação de rádio. Recostei a cabeça na janela e adormeci.
